Quase todos os dias alguém me pergunta se não estou mega entusiasmada por ir embora. É assim: estou. E não estou.
Todas as mudanças na nossa vida são isso mesmo, mudanças! E logo nesta, tudo vai mudar. Mesmo. Sei que os nossos contratos são de três anos, então sei também que não posso esperar que as pessoas que tenho aqui, agora, continuem aqui, quando voltar. Se calhar alguns até já casaram, se calhar outros, se juntarão a mim. Todos os dias digo a mim mesma que "São só três anos" quando na verdade "Foda-se, são três anos". Três anos foi o tempo que demorei a concluir a minha licenciatura. É muito tempo. Serão três anos de saudades, eu sei. Mas serão, também, três anos de novas conquistas e descobertas.
Quem me conhece, sabe que não tenho medo de trabalhar, muito menos de sair do cómodo. Eu sou assim, a pessoa mais frágil do mundo, a que mais sente do mundo, mas que não tem esse medo. Se há coisa que não nasceu comigo foi o comodismo. Sempre gostei de saber e aprender mais, de não me contentar com o que está adquirido. Mas quando me dizem que vou adorar e que vai ser o melhor e que gostavam muito de estar no meu lugar, só consigo pensar "Claro, porque é facílimo sair de Portugal e deixar a minha família e o meu namorado cá. Facílimo!". Nunca ponderei não ir. Mas penso sempre no que poderia fazer se cá ficasse. E isso dá-me mais força para ir embora, Quem sabe um dia, com as particularidades da vida, os meus não poderão voltar pra mim.
O que me deixa mais de pé atrás é, sem dúvida, a língua. Sei que falo inglês e que me desenrasco bem, mas não sou fluente. De todo. Espero que no final de alguns dias o meu nível de inglês melhore e consiga fazer o curso todo direitinho - sim, há um curso, mas dele só falarei quando lá chegar!
No fundo, eu sei que o facto de estar a tantos quilómetros de "casa" vai permitir que eu saiba sempre que apesar de todos os lugares que visite do mundo, ela vai estar comigo.
E vai ser sempre aqui.
A minha casa.

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